domingo, 4 de junho de 2017

PADRE JOSÉ NETO


Projeto de Lei 4481/10 - CEP: 35680-780
Denomina logradouro público: Rua Pe. José Neto / Bairro Olímpio Moreira antiga rua 4

*Guaracy de Castro NOGUEIRA

  Grande figura humana, Modelar Discípulo de Jesus, Pastor dedicado e zeloso de seu rebanho. Educador e formador de gente. Uma vida dedicada aos humildes, principalmente aos carentes e órfãos.
  Nasceu no pequeno lugarejo, freguesia do Sagrado Coração do Coco (São Caetano de Moeda), em 19 de junho de 1910. Mário Delfino Moreira, nascido na Moeda e Antônia Ferreira são seus pais. Avós paternos, José Ferreira, português, e Leonor Vieira Braga, do Coco. Avós maternos, Francisco Machado Netto e Maria Ferreira Marques, de São José do Paraopeba.
  Encaminhado para a vida sacerdotal pelo grande arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta. Seminarista no Seminário do Coração Eucarístico de Belo Horizonte, com apoio de Dom Antônio dos Santos Cabral, com bolsa que lhe deram as irmãs do Colégio Coração de Jesus, de Belo Horizonte. O Bispo e arcebispo Dom Cabral lhe devotava grande amizade e afeto, acompanhou sua passagem pelo seminário e lhe deu a tonsura, as ordens menores, o subdiaconato, o diaconato e o presbiterado. Ordenou-se no mesmo dia com Dom Cristiano Portela de Araújo Pena, Padre Sinfrônio Torres e Padre Guilherme Kriger.
  Antes de vir para Itaúna, foi cooperador do Monsenhor Guedes na Lagoinha (1938/39), depois, sucessivamente, vigário de Piedade do Paraopeba (1939/43) e de Itaúna (1943/85). Nestes períodos, foi encarregado de várias outras paróquias: São José do Paraopeba (1939/43), Moeda (1941/43), Itatiaiuçu (1943/46), Santanense (1943) e Padre Eustáquio (1960).
  Seu colega de ordenação, Dom Cristiano, primeiro bispo de Divinópolis, concedeu-lhe o título honorífico de cônego, por autorização do Papa Paulo VI (1966).
  Em nossa cidade, criou novas paróquias: Coração de Jesus de Santanense (1953), Nossa Senhora de Fátima do Padre Eustáquio (1960), Nossa Senhora das Graças, na Ponte (hoje Graças) e Nossa Senhora da Piedade do Serrado (hoje Piedade), em 1970. A zona rural foi enriquecida com novas capelas: Córrego do Soldado, Garcias (depois paróquia). Cachoeirinha, Vista Alegre (nome dado por ele ao Pasto das Éguas), Carneiros, Paulas e Santo Antônio da Barragem (construída pela Itaunense, com participação da comunidade).
  Presença decisiva na criação da Granja Escola São José, realizando um sonho de quando seminarista frequentava o Instituto João Pinheiro em Belo Horizonte, um centro de amparo a órfãos, carentes e meninos com desvio de conduta. Co-fundador do Colégio Santana, que passou pelas mãos do Padre José Nobre, do professor Raimundo Corrêa de Moura e do professor José Coutinho (com a colaboração de sua esposa Dª Vani e do saudoso professor Geraldo dos Santos), no casarão dos Cerqueira Lima na Rua Silva Jardim. Construída a nova sede do Colégio pela Santa Casa, fruto do testamento do maior benemérito de Itaúna no século XX, Manoel Gonçalves de Sousa Moreira (através da Sociedade Anônima com o nome do benemérito instituidor da Fundação), Padre Netto foi o responsável pela vinda dos padres americanos, frei Ambrósio e Cipriano, franciscanos conventuais e, finalmente pelos padres espiritanos (Adriano, Pedro Schoonnaker, Cauper, Luiz e outros), os quais se tornavam vigários, ficando o colégio nas mais deste notável educador que é o Padre José "das crianças", que transformou em educandário orgulho da comunidade, sala de visitas de Itaúna . Exerceu grande influência na instalação do Orfanato São Vicente de Paula, obra meritória de Dona Cota. Vigário de Itaúna ao longo de quase 42 anos. Pastor que mais tempo ficou à frente da paróquia de Santana. Conseguiu uma nova Casa Paroquial com a ajuda de dedicadas senhoras das famílias Cerqueira Lima e Gonçalves de Souza. Além disso, são imensas as marcas deixadas pelo operoso e dinâmico vigário em Itaúna. Membro do conselho fiscal da Universidade de Itaúna, completou a construção da Igreja da Matriz, terminando o coro, instalando os altares laterais e o púlpito. Assumiu a direção da Escola Normal oficial de Itaúna (Colégio Estadual), em momento de grande crise.  Inspirador da APAC, obra que sempre contou com o trabalho e a dedicação de Waldeci Antônio Ferreira. Ergueu o Centro Comunitário da Paróquia, contando com o patrocínio do senhor Joaquim Soares Nogueira (Quincas), numa homenagem ao seu falecido Cláudio.
  Muito pode ser acrescentado à biografia deste notável e humilde homem de Deus. Esta ligeira exposição, ao ensejo dos 160 anos da criação da Paróquia de Sant'Ana, atende apenas ao desejo jornalístico da Tribuna da Imprensa, solidária com as manifestações prestadas no Museu Francisco Manoel Franco, pela comunidade itaunense, a tão grande benfeitor cidadão honorário da terra de Sant'Ana, merecedor do eterno reconhecimento dos barranqueiros do Rio São João Acima.
Padre José Ferreira Netto está na galeria de honra dos mais notáveis itaunenses !




Prof. Luiz MASCARENHAS*

         José Ferreira Netto nasceu em um vilarejo denominado “Côco”, pertencente à cidade de Moeda-MG; a 19 de junho de 1910. Filho de Mário Delfino Ferreira e Antônia Ferreira Machado. Foram seus avós paternos José Delfino Ferreira e Leonor Ferreira Machado e avós maternos Francisco Machado Netto e Maria Ferreira Marques.
         Recebeu as águas lustrais do Santo Batismo na Capela do Sagrado Coração de Jesus do pequeno arraial em que nasceu, a 13 de julho de 1910, sendo oficiante o Mons. Mário Silveira. Foram seus padrinhos de batismo Eugênio Braga e Leonor Vieira Braga.
         O Sacramento da Crisma lhe foi conferido na mesma Capela do Sagrado Coração de Jesus do Côco, tendo sido o Bispo Oficiante o grande Dom Silvério Gomes Pimenta, Arcebispo de Mariana. Foi seu padrinho de crisma Francisco Machado Netto.
         Sua primeira Comunhão aconteceu em 27 de agosto de 1919, também na Capela do Sagrado Coração de Jesus do Côco, das mãos do Pe. Geraldo, redentorista.
         Cursou o Primário em 1919 e 1920, ainda no Côco e 1922 e 1924 em Ouro Preto.
         Ainda muito jovem, trabalhou como balconista de uma farmácia em Ouro Preto, que pertencia a um irmão de Mons. João Castilho Barbosa, Pároco do Pilar de Ouro Preto.
         Entrou para o Seminário do Coração Eucarístico de Belo Horizonte no ano de 1928 e foi ordenado padre a 18 de setembro de 1937 na Catedral da Boa Viagem, junto com outros três amigos: Pe. Sinfrônio Torres, Pe. Guilherme Kriger e Pe. Cristiano Frederico Portela de Araújo Penna, que posteriormente foi o primeiro bispo da nossa Diocese de Divinópolis; cujo nome empresta à Praça da Catedral: Praça Dom Cristiano.
         O Pe. José Ferreira Netto foi cooperador de Mons. Guedes na Paróquia da Lagoinha em Belo Horizonte de 1938 a 1939.
         Foi Vigário de Piedade do Paraopeba entre 1939 e 1943.  Vigário encarregado de São José do Paraopeba na mesma data; Vigário encarregado de Moeda entre 1941 e 1943. Vigário encarregado de Itatiaiuçu de 1943 a 1946.
         Em ITAÚNA o Pe. José Ferreira Netto chegou em 1943...Já conhecia o lugar, pois viera aqui alguns anos antes visitar um colega de seminário e rezou na velha Igreja Matriz de Sant’ana;  antes de sua demolição em 1934...Talvez não tenha imaginado que para essas barrancas um dia viria e delas faria a paróquia e a cidade de sua vida!
         Itaúna possuía uma única paróquia...A Paróquia de Sant’ana, criada em 07 de abril de 1841 e que se confundia com a própria cidade. Itaúna era a Paróquia de Sant’ana e a Paróquia de Sant’ana era Itaúna. Isto muito devido ao Direito Português...resquícios de nossa colonização e traços marcantes de nossa Cultura.
         Em 1943, nossa querida Itaúna era um povoado de aproximadamente 15 mil pessoas...Pelo acervo de fotos da Paróquia temos uma boa ideia de como era bem pequenina e espalhada a nossa povoação. Havia aqui 5 automóveis!
         Pe. José Ferreira Netto foi o nosso estimado Pároco de Sant’ana de 1943 a 1985...42 anos de paroquiato. Praticamente viu a pequena Itaúna crescer, evoluir, desdobrar-se em diversas outras paróquias ( hoje são 6: Sant’ana, Sagrado Coração de Jesus, Fátima, Piedade, São José, Aparecida).
         Itaúna, Minas Gerais, o Brasil e o mundo mudaram por demais neste período do paroquiato do nosso saudoso Pe. Zé Netto. Ele viu daqui o mundo e Igreja mudarem...
         Quando chegou, a Santa Missa era em latim, com o padre virado para o Sacrário e sempre usando a batina negra como veste talar, ou seja, de uso contínuo mesmo fora da Igreja. E assim o fez por 22 anos, até o Concílio Vaticano II permitir um novo rito em língua vernácula. A batina, esta, enquanto foi o Pároco, jamais deixou de usar.... Somente a tirou devido a ordens médicas e já bem na sua velhice: honrava seu sacerdócio acima de tudo.
         Foi um homem de vida espartana. Metódico, acordava sempre no mesmo horário, antes das seis da manhã, mesmo na velhice e já aposentado dafunções paroquiais. Para tomar seu banho, fazer a barba cotidianamente e passar o seu café...
         Gostava de cuidar do jardim e da horta.... Muitos ainda se lembram dos jardins da antiga Casa Paroquial (que foi construída no tempo dele) na praça, hoje Centro Pastoral “Pe. José Ferreira Netto) sempre com as roseiras exuberantes e uma horta bem viçosa e cuidada...Costume que levou para sua nova morada, quando se aposentou; situada na rua São Miguel, nº 104 no bairro das Graças.
         Pe. José Netto marcou indelevelmente sua passagem por estas terras.
         Itaúna muito lhe deve!
         Pe. José Netto trabalhou muito e muito para fora de sua sacristia.... Para muito além da religião. Tinha preocupações e grandes para com o social, a educação e a saúde em nossa cidade
         Quando aqui chegou em 1943, não havia uma escola para os meninos, pois a Escola Normal (hoje Escola Estadual de Itaúna, da qual foi também seu Diretor entre 1966 e 1970) só atendia as meninas e tocada por uma Congregação Religiosa (embaixo funcionava a escola e no andar superior a capela que possuía uma sacada; as celas das irmãs e o quarto para as internas.
         Tratou logo, portanto, com outras pessoas ilustres de nossa cidade, fundar o Colégio Sant’ana, para atender os meninos daquele tempo.
         Por ter contatos na capital, com a obra de Dom Bosco, logo pensou nos menores de rua e desamparados de seu tempo: daí veio a fundação da Granja Escola São José, junto com o então prefeito, Cel. Arthur Vilaça e sua esposa Dona Dorica.
         Criou também o antigo Lactário, que desaguou na Pastoral do Menor e hoje “Casa Nossa”; preocupou-se com os idosos e junto com o Cordomar Silveira, abraçou a causa do Asilo “Frederico Ozanam”. Tinha pelos detentos, os presos, um zelo de pai...disso brotou a Pastoral Carcerária, que abriu caminho para a APAC de Itáuna!
         Sempre prestou assistência e a fez prestar aos mais necessitados e imbuído do espírito do resgate da dignidade da pessoa humana.
         Resgatou a Festa do Reinado de Itaúna, então com sérias divergências com a Arquidiocese de Belo Horizonte, a qual pertencia a nossa Paróquia de Sant’ana. Presidia sua “missa conga” e colocava no altar da Igreja Matriz, as rainhas e reis do Congado…tudo isso em um tempo onde nada disso era usual.
         Pe. José Netto, conservador no rito e aberto para as necessidades sociais da Itaúna de seu tempo. Até na inauguração de templos protestantes se fez presente!
         Turrão, teimoso, enérgico...mas tinha de sê-lo e bem sabia disso!
         Até a nossa Praça da Matriz tem o tamanho que tem dada a sua grande teimosia. O clube itaunense seria construído bem próximo ao centro da praça...pedras chagando para o alicerce...Pe. José Netto, após diversos avisos ao Prefeito Dr Milton Penido, via-se sendo enrolado. Não teve dúvidas: fez a mala e chegou na prefeitura... ou saem as pedras ou eu me vou! Engraçada situação. As pedras se foram, ele ficou e hoje temos a praça da Matriz! Praça do povo e não dos carros!
         Falta-nos espaço e tempo aqui, para narrar toda a obra espiritual e material do nosso Pe. Zé Netto, Itaúna não pode jamais esquecer-lhe a memória!
         Permito-me neste ponto ser pessoal.... Fui coroinha, acólito e um admirador do nosso estimado Cônego José Ferreira Netto. Aprendi muito com ele e sobre muitas coisas da Vida; lhe sou eternamente grato!
         Fui seu amigo das últimas temporadas da vida.... Convivi com ele, dos seus setenta e pouco anos até a sua partida, aos noventa e quatro. Era um de seus motoristas, que o conduzia para celebrar suas missas, enquanto teve condições físicas para fazê-lo.
         A pedido do então bispo da Diocese e seu grande amigo, Dom Cristiano, recebeu do Papa Paulo VI, o título de Cônego em 1966, que jamais sequer assinou como sendo um.
         Pe. Zé Netto...na Itaúna Eterna com certeza, junto ao Trono do Cordeiro e sob o olhar da Virgem, traz em seu coração toda a Itaúna...de ontem, de hoje e de sempre!
         “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. ” (Jo 10, 11)


*paroquiano de Sant’ana


PADRE JOSÉ FERREIRA NETTO


REFERÊNCIAS:
Texto 1: Guaracy de Castro Nogueira (In Memoriam)
Texto 2: Prof. Luiz Mascarenhas
Pesquisa: Charles Aquino, Patrícia Gonçalves Nogueira.
Organização e Fotografia: Charles Aquino
Acervo: Prof. Sérgio Machado
Projeto de Lei dos Logradouros: Prefeitura Municipal de Itaúna



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