quarta-feira, 18 de março de 2026

COZINHO SANTANENSE


 Jacob Marra da Silva (“Cozinho”): vida, trabalho e devoção em Santanense

 

Jacob Marra da Silva, popularmente conhecido como “Cozinho”, nasceu em 3 de outubro de 1905 e faleceu em 30 de agosto de 1984. Sua trajetória esteve profundamente ligada à vida comunitária, religiosa e social da cidade de Itaúna, Minas Gerais, especialmente no bairro Santanense.

Casado com Josina Marra, Jacob constituiu uma família numerosa. O casal teve quatorze filhos, embora apenas três tenham sobrevivido, além de um filho adotivo criado pelo casal. 

Entre os filhos mencionados nos registros estão Maria Helena Marra, Maria Aparecida Marra Ribeiro, Geraldo Marra e João Pinto, este último adotivo. A vida familiar de Jacob foi marcada por perdas significativas, mas também por forte espírito de fé e perseverança.

Jacob Marra trabalhou na Companhia de Tecidos Santanense, importante indústria têxtil que marcou o desenvolvimento econômico e urbano de Itaúna ao longo do século XX. Iniciou sua trajetória como empregado da fábrica e, ao longo do tempo, alcançou a função de encarregado de seção, posição que demonstra reconhecimento e confiança em seu trabalho.

A presença da Companhia de Tecidos Santanense foi fundamental para a formação social do bairro Santanense, reunindo trabalhadores, famílias e redes de sociabilidade que moldaram a vida cotidiana da comunidade.

Além de sua atividade profissional, Jacob Marra destacou-se pela intensa participação na vida religiosa local. Durante muitos anos atuou como sacristão da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, no bairro Santanense.

Também foi confrade vicentino por cerca de cinquenta anos, participando da Sociedade de São Vicente de Paulo, organização católica dedicada à assistência aos necessitados e à prática da caridade.

Segundo os documentos, Jacob Marra era figura conhecida nas manifestações religiosas da comunidade. Nas procissões, frequentemente conduzia a cruz à frente do cortejo, demonstrando sua dedicação à fé. Também participava da organização dos cortejos fúnebres, ajudando a conduzir orações e acompanhar a comunidade até o cemitério.

As informações aqui apresentadas baseiam-se na biografia redigida por Antônio Augusto Fonseca, então Presidente da Câmara Municipal de Itaúna, no contexto da tramitação do Projeto de Lei nº 95/87, apresentado em 14 de outubro de 1987. A proposta tinha como objetivo denominar um logradouro público em homenagem a Jacob Marra.

O projeto foi aprovado pelo Legislativo municipal e sancionado por meio da Lei nº 2076/87, que oficializou a denominação da Praça Jacob Marra, localizada na confluência das ruas das Camélias e das Rosas com a Avenida Manoel da Custódia, no bairro São Geraldo, em Itaúna/MG.

Na justificativa do projeto, destacou-se que Jacob Marra era lembrado pela comunidade como um homem simples, humilde e dedicado ao próximo, cuja vida foi marcada pelo trabalho, pela fé e pela participação ativa na vida comunitária.

A trajetória de Jacob Marra da Silva representa um exemplo significativo da vida social em cidades mineiras no século XX, especialmente em contextos marcados pela presença da indústria têxtil e pela forte influência da religiosidade católica na organização da vida cotidiana.

Trabalhador industrial, agente ativo da vida religiosa e participante das redes de solidariedade comunitária, Jacob Marra tornou-se uma figura respeitada em sua comunidade. A denominação de uma praça em sua homenagem constitui, portanto, uma forma de preservar sua memória e reconhecer sua contribuição para a vida social e religiosa de Itaúna. 


Referências:

Pesquisa, elaboração e arte:

Charles Aquino – Historiador  Registro nº 343/MG

Fonte:

CMI – Câmara Municipal de Itaúna - Projeto de Lei nº 95/87 – Lei nº 2076/87

Biografia apresentada pelo Presidente da Câmara Municipal de Itaúna, Antônio Augusto Fonseca, em 14 de outubro de 1987, por ocasião da proposta de denominação da Praça Jacob Marra, localizada no bairro São Geraldo, em Itaúna/MG.

Texto biográfico elaborado a partir da documentação legislativa preservada no arquivo da Câmara Municipal de Itaúna.

Imagem:

Reconstituição visual ilustrativa gerada por Inteligência Artificial, inspirada na biografia de Jacob Marra da Silva (“Cozinho”), apresentada em 1987 por Antônio Augusto Fonseca durante a tramitação do Projeto de Lei nº 95/87 para denominação de logradouro público em Itaúna.

A imagem não corresponde a um registro histórico, mas sim a uma interpretação artística que busca evocar o contexto social do personagem, sua atuação como trabalhador da Companhia de Tecidos Santanense, sua religiosidade e sua ligação com a comunidade itaunense. 

terça-feira, 17 de março de 2026

ZÉ DO ZAQUEU

Personagens que dão nome às ruas de Itaúna

José Francisco da Silva – “Zé do Zaqueu” (1921–1986)

Entre os diversos personagens lembrados na toponímia urbana de Itaúna está José Francisco da Silva, conhecido popularmente como “Zé do Zaqueu”, cuja memória foi preservada na denominação de um logradouro público da cidade.

A biografia que fundamentou a homenagem foi apresentada em 1990 pelo vereador João Viana da Fonseca, durante a tramitação do projeto que propôs a denominação da via.

José Francisco da Silva nasceu em 10 de outubro de 1921, filho de Zaqueu Francisco da Silva e Maria Cândida da Silva.

Exerceu a profissão de alfaiate, atividade bastante comum nas cidades brasileiras ao longo do século XX, quando o ofício estava diretamente ligado à vida cotidiana das comunidades e ao atendimento personalizado dos moradores.

Além do trabalho, Zé do Zaqueu era conhecido por seu espírito sociável e pela facilidade de fazer amizades. Participava com frequência de encontros entre amigos, especialmente em rodas de música, onde gostava de cantar sambas e participar de serestas, uma tradição musical muito presente na cultura urbana mineira.

Outro aspecto lembrado na biografia apresentada à Câmara Municipal foi sua habilidade no futebol, esporte bastante presente no cotidiano.

Zé do Zaqueu destacou-se como jogador do Esporte Clube de Itaúna, tradicional equipe da cidade, popularmente conhecida pelos torcedores como “Esportão”. O clube teve papel importante na vida esportiva local e reuniu, ao longo de décadas, diversos atletas que marcaram o futebol amador itaunense.

Segundo registros da memória local, o talento demonstrado por Zé do Zaqueu no futebol chegou a levá-lo a atuar também fora da cidade, tendo passagem pelo Clube Atlético Mineiro, um dos principais clubes do futebol brasileiro.

A prática esportiva, somada à sua participação na vida social da cidade, contribuiu para que se tornasse uma figura bastante conhecida entre os moradores.

As recordações registradas na biografia destacam Zé do Zaqueu como uma pessoa muito querida em Itaúna, lembrado principalmente por sua convivência amistosa e pela participação em atividades culturais e esportivas da cidade.

Ele faleceu em 10 de outubro de 1986, no dia em que completava 65 anos de idade.

Quatro anos após seu falecimento, sua memória foi homenageada pelo poder público municipal com a denominação de um logradouro em Itaúna, iniciativa apresentada pelo vereador João Viana da Fonseca.

Esse tipo de homenagem faz parte de uma prática comum nas cidades brasileiras: a toponímia urbana, ou seja, a escolha de nomes de ruas e espaços públicos como forma de preservar a memória de pessoas que tiveram presença marcante na comunidade.

O estudo desses nomes permite compreender como as cidades constroem e preservam suas referências de identidade e pertencimento.

Projeto de Lei nº 140/90 - Lei 2472/91 - CEP: 35680-227

Denomina logradouro público.

O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes decreta, e eu, em seu nome, sanciono a seguinte lei:

Art. 1º Denominar-se-á RUA ZÉ DO ZAQUEU, o logradouro público que tem seu início na Av. Dorinato Lima, passando pela quadra 11 e terrenos de propriedade do senhor João de Cerqueira Lima e terminando na rua Vasco Mendes, localizado no Conjunto Residencial Morro do Engenho, zona 03.

Art. 2º A Prefeitura Municipal de Itaúna providenciará a colocação de placas indicativas, bem como a comunicação à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e à Companhia de Minas Gerais - CEMIG.

Art. 3º Revogadas as disposições em contrário, esta lei entrará em vigor na data de sua publicação

Sala das Sessões, em 12 de dezembro de 1990.

<João Viana da Fonseca> - Vereador

Aprovado em 1ª discussão em 13/02/1991


Referências:

Pesquisa, elaboração e arte: Charles Aquino – Historiador Registro nº 343/MG

Fonte:


Projeto de Lei nº 140/90 - Lei 2472/91 - CEP: 35680-227

Biografia apresentada pelo vereador João Viana da Fonseca à Câmara Municipal de Itaúna em 1990, por ocasião da proposta de denominação de logradouro público.

Imagem:

Reconstituição visual ilustrativa gerada por Inteligência Artificial, inspirada na biografia de José Francisco da Silva (“Zé do Zaqueu”), apresentada em 1990 pelo vereador João Viana da Fonseca durante a proposta de denominação de logradouro público em Itaúna.

A imagem não corresponde a um registro histórico, mas sim a uma interpretação artística que busca evocar o universo social do personagem, sua profissão de alfaiate e sua ligação com o futebol itaunense, incluindo referência ao Clube Atlético Mineiro.