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sexta-feira, 15 de maio de 2026

DONA LADOMILA

LOGRADOUROS DE ITAÚNAMG - HISTÓRIA

Dona Ladomila: Fé, Caridade e Memória em Itaúna

Este texto apresenta a trajetória de Dona Ladomila, personagem marcante na história social e religiosa de Itaúna, a partir de uma narrativa originalmente escrita por Stella Máximo e publicada no jornal Folha do Oeste, em 22 de abril de 1956.

 Mais do que uma homenagem, o registro permite compreender como práticas de caridade, religiosidade e protagonismo feminino se articulavam no cotidiano da cidade, convidando o leitor a refletir sobre o papel dessas figuras na construção da memória e das relações sociais de seu tempo.

DONA LADOMILA

Corria o ano de 1872, quando nasceu em Santana de São João do Rio Acima, Ladomila  Nogueira de Castro, filha de Zacarias Ribeiro de Camargos e Ana Carolina Nogueira de Castro.

Cresceu e desfrutou a vida de família rica e opulenta da época. Aos 26 anos de idade, casou-se com Joaquim Gonçalves de Faria Sobrinho, nascendo sua filha Godvy, em 27 de novembro de 1898, e Odilon, em 11 de agosto de 1900.

Começou seu calvário em 1902 quando morreu-lhe o esposo. Viu-se a braços com inúmeras dificuldades, devido à doença do marido e, depois, com a manutenção e educação dos filhos. Lutou sem esmorecer, venceu todas as dificuldades que o destino colocou à sua frente, passou pelas amarguras de viúva pobre que, assustada, pensa no dia de amanhã e no pão de cada dia para seus queridos filhos.

Foi por isso, talvez a maior benfeitora dos pobres de nossa terra. Quando dizemos benfeitora, não referimos ao dinheiro, que se pode dar ao pobre, falamos sim de benefícios que ninguém tem coragem de fazer. Lavar a ferida de um infeliz, de um desgraçado era para Ladomila coisa banal sem nenhuma importância; era fato corriqueiro, não merecia ser citado.

Era católica fervorosa, estava enterrado o Apostolado da Oração da paróquia, quando ela e d. Umbelina Victoi de Melo, mais conhecida por d. Nenê de Melo, levantaram essa irmandade. Foi zeladora da igreja matriz, trabalhou muito para a construção da atual. Durante 40 anos foi a representante da Terra Santa em Itaúna.

Já no leito, em extrema debilidade que a moléstia lhe causava, zelava sem descanso as suas obrigações, sacrificando-se às vezes.

Foi a fundadora do lactário, trabalhou para a construção do prédio velho, que foi depois vendido. Fundou a irmandade das Damas de Caridade e por mais de 20 anos foi sua presidente. Nesta associação foi relevante e seu serviço para os pobres desta terra. Conseguiu auxílio do governo federal, comprou a casa para as Damas, na rua Antônio de Matos.

Era Ladomila um espírito forte, alegre. Na mocidade foi a alma de toda festa e reunião; tocava violão, sanfona, viola, cantava modinha, era perita na arte de fazer versos, era dama de companhia das mocinhas para os bailes e festas, era enfim, o que se pode chamar de pau de toda obra. Estava pronta para toda festa, como também para acudir um doente ou alguém que sofria.

Foi vítima de incompreensão. Foi apedrejada por mãos que muito lhe deviam. Disse-nos ela certa vez: “Fulana me maltratou, porquê?” Respondemos: “Talvez inveja.” Sorrindo, retrucou: “de uma pobretana como eu?” Respondemos agora: “Sim, inveja de sua bondade. Inveja do seu desprendimento, de seu altruísmo. Inveja por se julgarem incapazes de fazer aquilo que essa senhora fazia!”

Ao vermos Ladomila no leito de agonia, abatida, alquebrada, contando os minutos finais, lembramo-nos de seu espírito irônico e sarcástico às vezes. Recordamo-nos de uma passagem muito interessante: Uma sua amiga comprou determinada mercadoria e negou-se a pagar à vendedora. Passado algum tempo a credora pediu àquela senhora uma Santa Visitadora para ir à sua casa.

Terminada a novena, negou-se a entregar a santa. Ladomila, como zeladora das imagens, reclamou a demora da santa em regressar, vindo a saber que a mesma se encontrava presa por dívida. Procurou a credora, pagou os Cr$ 8,00, e trouxe a santa. 

Dias depois, briga ela na igreja, em frente ao altar do Santíssimo com a ex-devedora. Discussão vai, discussão vem, a outra sem argumento disse-lhe: Ladomila, cale esta boca! respeite a Jesus Sacramentado! Ela prontamente retrucou: “Jesus me perdoará, pois tirei sua Mãe da hipoteca!...”

E assim, lúcida, aos 84 anos, cumprindo seus deveres, findou-se Ladomila. Foi uma luz que se apagou, deixando muita gente nas trevas. À volta de seu cadáver, choravam seus pobres, pedindo a Deus que lhe desse no céu aquilo que ela lhes dera na terra!

Disse Coelho Neto: “A morte não é uma destruição, é um lento acabar, um lento sumir. Vai-se o cadáver, mas... o corpo que morre é como um frasco de fina essência que se quebra, deixando o casco, por muito impregnado de aroma, até que o tempo o vai desvanecendo e fica somente a saudade, que é a memória do coração.”

RUA DONA LADOMINA ITAÚNA MG
Fotografia original publicada no jornal, integrando a biografia.

Rua Dona Ladomila - Itaúna/MG CEP 35680-365



Referências:

Organização, pesquisa e arte: Charles Aquino

Texto biográfico: Stella Máximo

Imagem: Reconstituição visual ilustrativa gerada por Inteligência Artificial, inspirada na biografia de Dona Ladomila. A imagem não corresponde a um registro histórico, tratando-se de uma interpretação artística que busca evocar traços de sua trajetória, sua atuação junto aos mais necessitados, sua religiosidade e sua presença marcante na vida social de Itaúna.

Fonte Impressa: Jornal Folha do Oeste, Itaúna, 22 de Abril de 1956. Direção Sebastião Nogueira Gomide.

Prefeitura Municipal de Itaúna e Câmara Municipal de Itaúna/MG.

Rua Dona Ladomila - Belveder e Cerqueira Lima, CEP:35680-365 (Lei 1343/76) 

Obs.: No texto original do jornal da Folha do Oeste, Dona Ladomila é identificada como Ladomila de Castro Nogueira, filha de Zacarias Ribeiro de Camargos e Ana de Castro, tendo se casado com Joaquim Gonçalves de Freitas Sobrinho.

Entretanto, no trabalho genealógico de Edward Rodrigues da Silva, são apresentadas informações divergentes, posteriormente incorporadas à presente biografia. Nessa leitura, a personagem passa a ser identificada como Ladomila Nogueira de Castro, filha de Zacarias Ribeiro de Camargos e Ana Carolina Nogueira de Castro, tendo se casado com Joaquim Gonçalves de Faria Sobrinho.  Disponível em: https://www.asbrap.org.br/revista/artigos/rev20_art16.pdf

terça-feira, 17 de março de 2026

ZÉ DO ZAQUEU

Personagens que dão nome às ruas de Itaúna

José Francisco da Silva – “Zé do Zaqueu” (1921–1986)

Entre os diversos personagens lembrados na toponímia urbana de Itaúna está José Francisco da Silva, conhecido popularmente como “Zé do Zaqueu”, cuja memória foi preservada na denominação de um logradouro público da cidade.

A biografia que fundamentou a homenagem foi apresentada em 1990 pelo vereador João Viana da Fonseca, durante a tramitação do projeto que propôs a denominação da via.

José Francisco da Silva nasceu em 10 de outubro de 1921, filho de Zaqueu Francisco da Silva e Maria Cândida da Silva.

Exerceu a profissão de alfaiate, atividade bastante comum nas cidades brasileiras ao longo do século XX, quando o ofício estava diretamente ligado à vida cotidiana das comunidades e ao atendimento personalizado dos moradores.

Além do trabalho, Zé do Zaqueu era conhecido por seu espírito sociável e pela facilidade de fazer amizades. Participava com frequência de encontros entre amigos, especialmente em rodas de música, onde gostava de cantar sambas e participar de serestas, uma tradição musical muito presente na cultura urbana mineira.

Outro aspecto lembrado na biografia apresentada à Câmara Municipal foi sua habilidade no futebol, esporte bastante presente no cotidiano.

Zé do Zaqueu destacou-se como jogador do Esporte Clube de Itaúna, tradicional equipe da cidade, popularmente conhecida pelos torcedores como “Esportão”. O clube teve papel importante na vida esportiva local e reuniu, ao longo de décadas, diversos atletas que marcaram o futebol amador itaunense.

Segundo registros da memória local, o talento demonstrado por Zé do Zaqueu no futebol chegou a levá-lo a atuar também fora da cidade, tendo passagem pelo Clube Atlético Mineiro, um dos principais clubes do futebol brasileiro.

A prática esportiva, somada à sua participação na vida social da cidade, contribuiu para que se tornasse uma figura bastante conhecida entre os moradores.

As recordações registradas na biografia destacam Zé do Zaqueu como uma pessoa muito querida em Itaúna, lembrado principalmente por sua convivência amistosa e pela participação em atividades culturais e esportivas da cidade.

Ele faleceu em 10 de outubro de 1986, no dia em que completava 65 anos de idade.

Quatro anos após seu falecimento, sua memória foi homenageada pelo poder público municipal com a denominação de um logradouro em Itaúna, iniciativa apresentada pelo vereador João Viana da Fonseca.

Esse tipo de homenagem faz parte de uma prática comum nas cidades brasileiras: a toponímia urbana, ou seja, a escolha de nomes de ruas e espaços públicos como forma de preservar a memória de pessoas que tiveram presença marcante na comunidade.

O estudo desses nomes permite compreender como as cidades constroem e preservam suas referências de identidade e pertencimento.

Projeto de Lei nº 140/90 - Lei 2472/91 - CEP: 35680-227

Denomina logradouro público.

O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes decreta, e eu, em seu nome, sanciono a seguinte lei:

Art. 1º Denominar-se-á RUA ZÉ DO ZAQUEU, o logradouro público que tem seu início na Av. Dorinato Lima, passando pela quadra 11 e terrenos de propriedade do senhor João de Cerqueira Lima e terminando na rua Vasco Mendes, localizado no Conjunto Residencial Morro do Engenho, zona 03.

Art. 2º A Prefeitura Municipal de Itaúna providenciará a colocação de placas indicativas, bem como a comunicação à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e à Companhia de Minas Gerais - CEMIG.

Art. 3º Revogadas as disposições em contrário, esta lei entrará em vigor na data de sua publicação

Sala das Sessões, em 12 de dezembro de 1990.

<João Viana da Fonseca> - Vereador

Aprovado em 1ª discussão em 13/02/1991


Referências:

Pesquisa, elaboração e arte: Charles Aquino – Historiador Registro nº 343/MG

Fonte:


Projeto de Lei nº 140/90 - Lei 2472/91 - CEP: 35680-227

Biografia apresentada pelo vereador João Viana da Fonseca à Câmara Municipal de Itaúna em 1990, por ocasião da proposta de denominação de logradouro público.

Imagem:

Reconstituição visual ilustrativa gerada por Inteligência Artificial, inspirada na biografia de José Francisco da Silva (“Zé do Zaqueu”), apresentada em 1990 pelo vereador João Viana da Fonseca durante a proposta de denominação de logradouro público em Itaúna.

A imagem não corresponde a um registro histórico, mas sim a uma interpretação artística que busca evocar o universo social do personagem, sua profissão de alfaiate e sua ligação com o futebol itaunense, incluindo referência ao Clube Atlético Mineiro.

 

sábado, 23 de dezembro de 2023

MAESTRO AZARIAS

Lei Municipal 1.343/76 — CEP: 35680-380

Denomina logradouro público: Rua Maestro Azarias – Cerqueira Lima 


O maestro Azarias Nogueira Machado pertenceu a uma família proeminente e influente que contribuiu significativamente para o crescimento econômico e desenvolvimento cultural do arraial de Sant’Ana do Rio São João Acima, hoje Itaúna/MG. Era neto materno do Tenente Coronel Manoel José de Souza Moreira e Ana Joaquina de Jesus, fundadores da Companhia de Tecidos Santanense. Além disso, era filho do Coronel Josias Nogueira Machado, um dos principais articuladores da emancipação do município, e de Tereza Gonçalves de Souza. 

Azarias teve outros onze irmãos: Augusta Gonçalves Nogueira, Dr. Ovídio Nogueira Machado, Dr. Lincoln Nogueira Machado, Rachel Nogueira Machado, Aristides Nogueira Machado, Olandim Nogueira Machado, Sady Nogueira Machado, Geny Nogueira Machado, Mozart Nogueira Machado, Alice Gonçalves Nogueira e Josias Nogueira Machado Filho.

Em sua obra, o pesquisador Padre Rodrigo destaca que o maestro Azarias, músico multifacetado conhecido por suas habilidades como pianista, organista, compositor e regente, foi o criador de inúmeras músicas profanas e sacras. Aprimorou seu ofício sob a orientação do renomado músico e compositor João Francisco da Matta. 

 
Maestro Azarias

De acordo com a lei municipal número 1.343 de 1976, existe no município uma rua, a Rua Maestro Azarias, em sua homenagem.


Referências:

Texto, organização e arte: Charles Aquino

Acervo fotografia maestro Azarias: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira

Pesquisa ao acervo da Câmara Municipal de Itaúna: Charles Aquino, Patrícia Nogueira 

Botelho, Padre Rodrigo. Memórias sonoras e afetivas de nossa gente (p. 26-49-50).

Itaúna Décadas. Criação do Município de Itaúna. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2012/10/criacao-do-municipio.html

Ruas de Itaúna. Biografia Josias Machado. Disponível em: https://ruasdeitauna.blogspot.com/2017/05/josias-nogueira-machado.html

Calvão/Galvão Web Site: My Heritage. Genealogia da família Nogueira Machado. Organizado e gerenciado pelo genealogista Charles Aquino.

domingo, 5 de junho de 2022

MANOEL BERNARDES

Lei Municipal 1.255/75 — CEP: 35680-117

Denomina logradouro público: Rua Manoel Bernardes Várzea da Olaria

LEI Nº 1.255, de 24 de Dezembro de 1975

Dispõe sobre a denominação de ruas e logradouros do Bairro Várzea da Olaria e dá outras providências.

O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes decreta, e eu, em seu nome, sanciono a seguinte lei:

Art. 1º As ruas e logradouros públicos do Bairro da Várzea da Olaria, serão

denominadas pelos nomes relacionados abaixo:

[...]

Rua Manoel Bernardes – Da Rua Pedro de Queiroz até a Rua Francisco Alberto. Quadras 15 e 16. [...]

Art. 2º Revogadas as disposições em contrário, esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Projeto de Lei 04/75 elaborado pelo vereador Cosme Caetano da Silva

Prefeitura Municipal de Itaúna, 24 de Dezembro de 1975

Hidelbrando Canabrava Rodrigues

Prefeito Municipal


MANOEL BERNARDES DE CARVALHO

Seis de setembro de 1898 em um lar humilde do então florescente município de Itaúna, reinava um clima de alegria, afetos e esperanças: uma nova vida surgia da união de Francisco Bernardes de Carvalho e Josefina Bernardes – nasceu-lhes Manoel Bernardes de Carvalho.

Fez o curso primário no Grupo Escolar Augusto Gonçalves, saindo da quarta série com distinção. Logo que concluiu o curso primário, Manoel começou a viver os duros empates da vida. Morrera-lhe o pai e com apenas quatorze anos de idade torna-se arrimo de família. Seu corpinho frágil curvava ante o peso das malas que carregava com todo esforço para sustentar sua mãe e seus irmãozinhos.

Surge a Companhia Industrial Itaunense, obra que veio conduzir nossa cidade para o caminho de progresso, que trouxe esperanças e certeza no porvir para inúmeras pessoas com a oportunidade de trabalho. Manoel simples carregador de malas passa a ser um dos operários da fábrica. Trabalhou também na Cooperativa Municipal e depois passou a ser proprietário de carroças de aluguel, sendo convidado a entrar como sócio em importante indústria de Ibiá, recusando o convite porque faltou-lhe coragem de deixar Itaúna.

Trinta de abril de 1924, Manoel Bernardes de Carvalho, pelos laços sagrados do matrimônio, une sua vida a de Maria Augusta Santos, também itaunense. Desta união teve os seguintes filhos:

José Bernardes Sobrinho (Contabilista)

Antônio Augusto de Carvalho (Contabilista)

Maria Auxiliadora de Carvalho (Professora)

Sebastião Augusto de Carvalho (Oficial de Farmácia)

Carmo Lúcio de Carvalho (Escriturário)

Manoel Augusto de Carvalho (Advogado criminalista)

Em 1926, Manoel entrou para o comércio, sendo sócio do Dr. José Gonçalves em um grande armazém na praça da estação. Em 1932, o estabelecimento comercial, não resistindo a crise que passava o país, veio a fechar as portas. As intempéries da realidade da vida jamais conseguem apagar as chamas de um sagrado ideal. Manoel não se julgou vencido, animado pelos carinhos da esposa e pelos olhares inocentes de seus filhos, trabalhou com afinco. Passou a vender bilhetes de loteria e mais tarde exerceu a profissão de representante comercial.

Em vinte e sete de janeiro de 1959 faleceu repentinamente num dos bancos da praça dr. Augusto Gonçalves, depois de descer as escadarias da Igreja Matriz, no qual, tinha o costume de visitar o Santíssimo diariamente.   

REFERÊNCIAS:

Pesquisa, Organização e Arte: Charles Aquino

Acervo: Prefeitura Municipal de Itaúna

Texto biográfico:  Cosme Caetano da Silva – Vereador (In Memoriam)

Projetos de Leis dos Logradouros: Câmara Municipal de Itaúna.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

BENFICA ALVES MAGALHÃES

Lei Municipal 0850/67— CEP: 35680-256
Denomina logradouro público: Rua Benfica Alves Magalhães / Bairro Graças
 

LEI Nº 850, de 23 de Outubro de 1967

Dá denominação a rua.

O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes, decreta e eu, em seu nome, sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Denominar-se-á BENFICA ALVES MAGALHÃES, a rua “A” da Vila Santa Rita, no Bairro da Piedade, nesta cidade de Itaúna, que tem seu início na Rua Gioconda Corradi, e vai até os limites e propriedade do senhor Antônio Corradi.

Art. 2º Revogadas as disposições em contrário, esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Mando, portanto, a todas autoridades, a quem o conhecimento desta Lei pertencer, que a cumpram e a façam cumprir tão inteiramente como nela se contém e declara.

Prefeitura Municipal de Itaúna, 23 de Outubro de 1967

Antônio Dornas de Lima

Prefeito Municipal

 

JUSTIFICATIVA

A denominação vem de homenagear o progenitor daquele que foi o construtor da Vila “Santa Rita” - Benfica Alves Magalhães.

Além desta particularidade, vem consignar em uma de nossas vias públicas um nome de tradição em Itaúna, tronco de numerosa família radicalizada em nossa terra.

Sala das Sessões, 17 de Outubro de 1967


A BARBA DO BENFICA

Certa vez, José Rosa de Freitas, perguntou ao fazendeiro Benfica de que maneira dormia — com a barba para dentro ou para fora do cobertor?

Reza a lenda que, o senhor Benfica passou a noite em claro sem saber onde colocaria a sua barba. No outro dia, foi correndo reclamar com o curioso que lhe tinha feito esta pergunta (FERREIRA).


BARRAGEM DO BENFICA 

A Companhia Industrial Itaunense, através de seu diretor, José de Cerqueira Lima, ao ser informado pelo prefeito Lima Coutinho de que o Plano Diretor estava quase pronto, contratou em 01 de agosto de 1950, o engenheiro eletricista, professor em Itajubá, jovem, com 27 anos, casado, dr. Nelson Faria de Toledo, para assessorar o engenheiro dr. Rubens Vaz de Mello, então gerente da empresa, no levantamento topográfico da área onde seria instalada a Barragem.

 Adquiriu-se a fazenda de Henrique Alves de Magalhães, um dos filhos do famoso fazendeiro Benfica Alves de Magalhães, na certeza de que o bloco de concreto, barragem do lago artificial a ser construído, nela se localizaria.

 Ciente, Zezé Lima, hábil político, de que a maioria dos terrenos da área a ser inundada saíra, no passado, de ancestrais do velho Benfica e das mãos de seus herdeiros, determinou que o logradouro chamar-se-ia “Barragem do Benfica”, homenagem ao patriarca, querido e respeitado na comunidade (MASCARENHAS).


 FAMÍLIA MAGALHÃES

(Clicar na imagem para ampliar)
 
 A família Magalhães e a família Fonte Boa se uniram com o casamento de Baltazar Domingues de Fonte Boa e Antônia Maria de Jesus ; ela, filha do português tenente Antônio Magalhães Portilho e de Marciana Maria de Jesus (filha de Ana Maria Conceição e do português tenente Manuel Soares Braga); ele filho de Alexandre Domingos da Venda e Antônia Domingues, portugueses da freguesia de São Salvador de Fonte Boa, termo de Barcelos, arcebispado de Braga, daí o topônimo Fonte Boa; moravam na fazenda Serra Negra em Igaratinga;

Baltazar Domingues de Fonte Boa faleceu com testamento[1] feito em 1812 e Antônia Maria de Jesus faleceu em 1841 com inventário[2].

Foram 4 filhos do casal:  Maria Rosa de Jesus, Manoel Antônio de Fonte Boa, Ana Angélica Jesus (a mãe), José Vicente Fonte Boa.

 Manoel Antônio de Fonte Boa, casou-se em 1810 com Eufrásia Felícia Morais (nascida em Pitangui; filha de Manoel Preto Rodrigues e Ana Maria de Jesus); ela faleceu em 17/7/1856 com testamento e inventário[3], onde declarou ter 8 filhos:

1)    Maria Madalena de Magalhães, casada com Francisco José da Silva; ela faleceu[4] ficando viúva na fazenda da Pedra, em Sant’Ana de São João Acima, hoje Itaúna, em 5/9/1893 deixando 10 filhos; 

2)    Antônio Magalhães Portilho, casado com Joaquina Lucinda de Freitas;

3)    Carolina Angélica de Jesus, casado com José Antônio Pereira;

4)    Sabina Matilde de Magalhães, casado com Antônio José de Faria; residiam em Cantagalo;

5)    Felício Flávio de Magalhães, casado com Cândida Maria de Jesus; ambos faleceram em 1904;

6)    Manoel Antônio de Magalhães, casado com Carolina Guilhermina Magalhães; residente no Patafufo, hoje Pará de Minas;

7)    João Antônio Portilho, solteiro em 1856; casado com Regina Francisca Carolina em 16/2/1858 em Sant’Ana de São João Acima, hoje Itaúna, ele com 25 anos de idade e ela com 18 anos de idade;

 

8)    Martinho Alves de Magalhães, casado com sua prima Feliciana Umbelina de Magalhães (filha de Tomaz de Aquino Soares e Marciana Umbelina Magalhães); ela faleceu[5] aos 60 anos em 1/6/1890 em Sant’Ana de São João Acima, hoje Itaúna, segundo declaração de seu sobrinho Antônio José de Morais.

Foram pais de:

1) Benfica Alves Magalhães, casado com Maria Batista Magalhães;

2) Aarão Alves de Morais, que teve quatro filhos reconhecidos com Maria do Carmo Lima e, posteriormente, dez com sua esposa legítima Castorina Alexandrina de Oliveira;

3) Frederico Alves de Magalhães, casado com Bárbara de Oliveira. Estes três ilustres cidadãos vieram para nossa região em meados do século XIX.

 

 DESCENDÊNCIA DE BENFICA ALVES MAGALHÃES

 

F2N8N1. Benfica Alves Magalhães, nasceu em 1863; casado com Maria Batista Alves que depois acrescentou o sobrenome de Magalhães (nasceu em 1879; filha de de Gonçalo Alves Pedrosa e Rita Cândida Paiva), pais de:

F2N8B1. Crispim Alves Magalhães, nasceu em 19/2/1898 Itaúna, onde casou-se[1] com sua prima em 3º grau civil Maria de Lourdes Guimarães (nascida em 29/3/1902; filha de João Batista Guimarães, nasceu em 1880) em 27/9/1919 em Itaúna; ele faleceu[2] 20/11/1977 em Belo Horizonte; ela faleceu[3] em 25/6/1993 Itaúna;

 F2N8B2. Henrique Alves Magalhães, nasceu em 14/12/1899;

 F2N8B3. Maria Alves Magalhães, nasceu em em 20/7/1902 na fazenda Vista Alegre; casou[4] com João Luiz Fonseca (nasceu em 26/9/1899; filho de Palmério Pinto Fonseca e Maria Luiza Fonseca) 30/12/1920 Itaúna; ele faleceu[5] em 25/7/1963 Itaúna; ela faleceu[6] em 17/10/1994 Itaúna;

 F2N8B4. Maria; gêmea de Benfica;

 F2N8B5. Benfica, gêmeo de Maria; nasceu em 30/8/1904 na fazenda Vista Alegre;

F2N8B6. Domingos Alves Magalhães, nasceu em Itatiaiuçu em 1/9/1911; casado com Maria de Lourdes Rodrigues Chaves (nasceu em 9/5/1912; filha de Francisco Cornélio Rodrigues Chaves e Josefa Eufrosina Mendonça Chaves, residente em Itatiaiuçu) em Itatiaiuçu em 1932; ambos faleceram[7] em Itaúna, ela em 6/7/1984 e ele em 6/1/1995;

 F2N8B7. Feliciana Benfica de Magalhães, nasceu em 11/1895 em Santana; aos 17 anos casada[8] com João Batista Ribeiro (20 anos; n. e res. em Itaúna; filho de João Ribeiro de Azambuja Filho e da falecida Maria Olímpia Alves) em 26/4/1913 em Itaúna; ele faleceu[9] em 26/10/1970 em Itaúna; ela faleceu[10] em 24/12/1970 em Itaúna;

 F2N8B8. Alzira Benfica Magalhães, nasceu em Tabuões-Santana em 11/10/1897; casada[11] com José Cândido Pereira (nasceu em 9/5/1898; filho de Francisco Pereira Cardoso e Narcisa Marra Jesus) 26/4/1919 Itaúna;

 

F2N8B9. Maria Benfica Magalhães, casada José Cândido Pereira (filho de Francisco Pereira Cardoso e Narcisa Maria Jesus-ou Marra da Silva, esta filha de Francisco Rodrigues Silva Campos e Alexandrina Marra da Silva, esta filha de José Pereira Cardoso e Narcisa Silva Marra, família. Pereira Cardoso) em 2/4/1919;

 F2N8B10. Santos Alves Magalhães, casado com. Etelvina Maria Jesus (filha de Juscelino Caetano Lima e Dionísia Teixeira Jesus) em Itatiaiuçu em 17/9/1927, ele com 23 e ela com 17 anos; ela faleceu em Itaúna em 18/10/1976.

 



REFERÊNCIAS:

ACERVO BIBLIOGRÁFICO E FOTOGRÁFICO: Fundação Maria de Castro Nogueira (Guaracy de Castro Nogueira – In Memoriam).

ACERVO FOTOGRÁFICO (BENFICA GUIMARÃES): Giancarlo Teles de Magalhães.

ACERVO BIOGRÁFICO LOGRADOURO: Câmara Municipal de Itaúna/MG.

COLABORADORA (CAUSO): Carmem Célia Ferreira

FONTES PRIMÁRIAS:  Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG (Atual Cartório Paz Registro Civil Pessoas Naturais de Itaúna/MG).

FONTES PRIMÁRIAS: IHP – Instituto Histórico de Pitangui - Arquivo Judicial de Pitangui.

ORGANIZAÇÃO, PESQUISA E ARTE: Charles Aquino

PESQUISA GENEALÓGICA: Alan Penido, Aureo Nogueira da Silveira

CÂMARA MUNICIPAL ITAÚNA (PESQUISA): Charles Aquino, Patrícia Gonçalves Nogueira.

SÍNTESE DO FASCÍCULO: ITAÚNA EM DETALHES - Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa, 2003, p.33,34: Professor Luiz Mascarenhas



[1] F.114-L.4-Cas-CRC - Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG

[2] BH F.283v-L.30-Óbi-CRC. 

[3] F. 10-L.29-Óbi-CRC- Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG

[4] F.176v-L.4-Cas-CRC - Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG

[5] F.33-L.19-Óbi-CRC - Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG

[6] F.162v-L.29-Óbi-CRC - Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG

[7] F.26-L.5-Cas-CRC-Itatatiaiuçu

[8] F.54v-L.3-Cas-CRC - Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG

[9] F.76v-L.21-Óbi-CRC - Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG

[10] F.94v-L.21-Óbi-CRC - Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG

[11] F.89v-L.4-Cas-CRC- Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG



[1] V.127-Arquivo Judicial de Pitangui

[2] XXII,2182- Arquivo Judicial de Pitangui

[3] V,309-AJP e XXII,2435-AJP

[4] F.162v-L.1-Obi-CRC - Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG

[5] F.50-L.1 encad-Obi-CRC - Cartório Lauro de Faria Matos/Itaúna-MG