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sábado, 11 de janeiro de 2020

ANTÔNIO DE MATOS

Lei Municipal 187— CEP: 35681-030
Denomina logradouro público: Rua Antônio de matos / Centro - Itaúna/MG


ANTÔNIO PEREIRA DE MATTOS

Primogênito, nasceu em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro em 10/08/1858, casando-se com Maria de Gonçalves de Sousa (após o casamento passou a se chamar Maria Gonçalves de Souza Mattos) nascida em 31/5/1871 e falecida em 10/06/1940 no município de Itaúna.
Antônio Pereira de Mattos, “herdou as qualidades paternas de inteligência, simpatia, criatividade, extroversão e dedicou-se, no início de sua vida adulta, à atividade comercial como representante de diversas firmas atacadistas da cidade do Rio de Janeiro” (SOUZA, p.102).
“Nesta qualidade, como cometa, com a sua tropa, viajava constantemente pela região central de Minas Gerais” (SOUZA, p.102). “Nestas suas permanentes andanças, na década de 1880, não raro pousava no antigo distrito de Sant’Ana de São João Acima (Itaúna), que rapidamente se transformara em importante empório comercial, no limiar da região Oeste de Minas Gerais” (SOUZA, p.103).
“Em uma de suas pousadas em Sant’Anna do São João Acima, veio a conhecer e se enamorar da senhorita Maria Gonçalves de Sousa, mais conhecida por Neca — a mais bonita, segundo cronistas coevos” das filhas de Manoel José de Souza Moreira e Ana Joaquina Jesus (SOUZA, p.103).
Aos 23 dias do mês de outubro do ano de 1891 em sua casa situada à rua Direita, no arraial de São João Acima (Itaúna), assinou a “Ata da Assembleia Geral de Instalação da Companhia de Tecidos Santanense”, tomou posse como 2º secretário, sendo um dos acionistas fundadores da empresa. (ESTADO DE MINAS, p.8).


TEATRO MELPÔMENE EM DORES

Antônio Pereira de Mattos tinha a visão e o talento natural para empreender. Ao final do século XIX junto com sua família e irmãos, “instalou-se no município de Dores do Indaiá, sendo o homem que tornou possível o plano de construir um teatro naquele município próspero” (BARBOSA, p.84).
Em 1904, surgiu a Sociedade Anônima Melpômene, que se dispunha a construir o Teatro Melpômene. No dia 15 de julho de 1904 verificou-se a solenidade de instalação da sociedade.
 O incorporador, Antônio Pereira de Mattos, “organizou a sociedade com o capital de $ 5.000,00 (cinco mil contos de reis) divididos em 250 ações de $ 20,00 (vinte réis) cada uma. Vários foram os subscritores, entre eles a família Mattos estava presente em grande número: Antônio Pereira de Mattos, Arthur Pereira de Mattos, Arthur Pereira Mattos Júnior, Ladislau Gonçalves de Mattos e Sílvio de Mattos (BARBOSA, p.85).
“O teatro foi erguido na rua principal, hoje Avenida Francisco Campos, esquina com rua Rio de Janeiro; era construção magnífica para a época. O palco era bastante espaçoso; na parte de baixo, muito espaçosa, estavam os camarins; nos fundos (a construção tomou todo o quarteirão da rua Rio de Janeiro) foi erguida uma casinha para café dos artistas, nas horas de intervalo“ (BARBOSA, p.85).
“Do Teatro Melpômene se poderia dizer: aqui outrora retumbaram hinos! Ali, uma equipe de amadores deleitava a população com suas comédias, suas farsas e seus dramalhões” (BARBOSA, p.85).


INDAIÁ PARA SANT’ANA

Antônio Pereira de Mattos, “que então residia em Dores do Indaiá, fixou residência em Sant’Ana, quando o antigo arraial iniciava a arrancada decisiva para sua emancipação política” (SOUZA, p.103).
Totalmente radicado em terras barranqueiras, o Cel. Mattos continuou a empreender no município. Em 1º de maio do ano de 1911 participa da fundação da Companhia Industrial Itaunense, tomando posse como Diretor–secretário e sendo um dos acionistas fundadores da empresa. No ano seguinte em 1º de junho de 1912 deu início a vida política, ao eleger-se Presidente da Câmara e Agente Executivo, tornando-se o segundo prefeito municipal do município de Itaúna (SOUZA, p.103).
Em sua gestão como chefe do executivo itaunense, construiu “a primeira Cooperativa Agrícola de Laticínio, tendo o seu estatuto social aprovado em 30 de novembro de 1912, pelo Decreto Estadual nº 3.762” (SOUZA, p.103).
Prestou relevantes serviços à comunidade: “o da abertura de novas ruas, o da ampliação do abastecimento de água potável à sede e aos distritos, o da construção do matadouro, assim como o da construção de novas pontes” (ACAIACA, p.96). 
Antônio Pereira de Mattos chefiou o município de Itaúna após sua emancipação política no período de 01/06/1912 a 31/12/1915 (SOUZA, p.606).
No dia 27 de fevereiro de 1926 veio a falecer em Itaúna deixando viúva, filhos, amigos e admiradores, “apesar de esperado esse desenlace — tanto se agravara nos últimos dias o estado de saúde do coronel Mattos e em nada se atenuou a rudeza do golpe desferido no seio da distinta sociedade” (PHAROL, p.4).
Grande legado deixou o Coronel Mattos, “era um espírito dinâmico incompatível com a modorra dos centros rotineiros. Por onde passava, agitava as atividades e encaminhava-as no sentido de realizar alguma coisa em prol do progresso” (PHAROL, p.4) — tanto no empreendedorismo empresarial quanto no empreendedorismo social.


Antônio Pereira de Mattos e Maria de Gonçalves de Sousa teve os seguintes filhos:
F1N1. Clotildes Mattos
F1N4. Olga Mattos
F1N5.Alzira de Mattos Gonçalves
F1N3.Antônio Gonçalves de Mattos
F1N6. Rossini Gonçalves Mattos











Referências:

SOUZA, Miguel Augusto Gonçalves de. ITAÚNA: sua trajetória política, social, religiosa, econômica e cultural, desde a criação do Arraial de Santana do São João Acima, em 14 de outubro de 1765, até a data do centenário de instalação do município: 1765-2002. BH: Santa Clara, 2002.

Revista Acaiaca nº 56, org. Celso Brant,1952

BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dores do Indaiá do passado. Belo Horizonte: s.ed. 1964

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

ANTÔNIO AUGUSTO DE LIMA COUTINHO

Lei Municipal 1631/82 — CEP: 35681-750
Denomina logradouro público:
Distrito Industrial Antônio Augusto de Lima Coutinho
Fazendinha (Rod. MG-050)

Projeto de Lei nº 07/82 da denominação ao Distrito Industrial de Itaúna.
O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes, decreta, e eu, em seu nome, sanciono a seguinte Lei Municipal nº 1631/82.
Art. 1º — Denominar-se-á Antônio Augusto de Lima Coutinho, Distrito Industrial de Itaúna.
Art. 2º — Revogadas as disposições em contrário, esta Lei entrará em vigor na data da sua publicação.

Itaúna em 11 de agosto de 1982
Antônio Augusto Fonseca — Vereador


Nomeio relatora a nobre Vereador Elsa Alves Nogueira.
Sala das Sessões, em 13 de setembro de 1982.
Joaquim Antônio Diniz — Presidente da Comissão de Justiça e Redação

O presente projeto de Lei foi elaborado de acordo com as normas legais e é de competência deste legislativo a sua apreciação.
Elza Alves Nogueira — Relatora
Joaquim Alves Nogueira — Presidente da Comissão
Pedro Alberto — Membro

Nomeio relator o nobre Vereador João Viana da Fonseca.
Elza Alves Nogueira — Presidente da Comissão de Finanças e Orçamento.

Sala das Sessões 20/09/1982

A homenagem que se pretende prestar ao Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho é das mais meritórias. O homenageado era um idealista, sempre propugnando pelas causas que engradeceram Itaúna. Foi Prefeito Municipal, trabalhando pela cidade. Somos pela aprovação do presente projeto de Lei. Sala das Sessões 20/09/1982.

João Viana da Fonseca — Relator
Nelson Bernardes Alves — Membro
Elza Alves Nogueira — Presidente da Comissão
Aprovado em 1ª discussão 28/09/1982
Aprovado em 2ª discussão 28/09/1982

A Comissão de Justiça e Redação é pela aprovação do presente projeto de Lei com a redação original. Sala das sessões, em 30/09/1982.

Joaquim Antônio Diniz — Presidente da Comissão
Elza Alves Nogueira — Secretária
Pedro Alberto — Membro
Aprovado em 3ª discussão 30/09/1982





Dr. ANTÔNIO AUGUSTO DE LIMA COUTINHO
"Humanista, grande médico, homem honrado e caridoso"
 

Dr. COUTINHO, tratado na família como "NICO", nasceu em Ouro Preto no dia 12 de abril de 1898, filho de Pedro Artur de Souza Coutinho e Felicíssima Ricardina Coutinho. Seus avós paternos, Cel. João Batista de Souza Coutinho e dona Francisca de Assis de Azeredo de Sousa Coutinho eram originários de Barão de Cocais.

Seu avô materno Antônio Augusto Pereira Lima, nasceu na Fazenda do Marzagão, em Itabira do Campo (Itabirito), também terra natal de sua avó, dona Anna Josephina França. No ano de 1907, Pedro Artur (Doca), que era funcionário público, transferiu-se com a família para Belo Horizonte, onde o menino Antônio Augusto (nome em homenagem ao avô materno) prosseguiu seus estudos no curso primário com a professora particular Ana Cintra, renomada educadora mineira, sua amiga, enquanto ela viveu, pela troca de correspondência mantida ao longo de muitos anos.

Sempre aplicado e compenetrado, criado em ambiente de alta religiosidade, foi um jovem temente a Deus. No curso secundário, estudou no Colégio D. Viçoso. Com a mudança do Colégio Azevedo para a capital, do velho mestre, seu amigo Caetano de Azeredo Coutinho, terminou seus estudos, os quais lhe permitiram aspirar uma carreira de nível superior e concretizar seus sonhos de juventude. Estudioso, desde cedo aplicou-se no conhecimento do francês, que lhe era familiar. Não saía das bibliotecas onde os melhores livros didáticos estavam escritos nessa língua.

Submeteu-se ao exame de admissão na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, em 1916, onde ingressou, vindo a ser, nos primeiros anos, preparador da Cadeira de Anatomia. No terceiro ano, trabalhou como interno no Serviço de Oftalmologia da Santa Casa de Misericórdia. Ao término do quarto ano, transferiu-se para a Faculdade da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, como interno no Serviço de Ginecologia, oportunidade em que escreveu um sério trabalho, denominado "Prenhez Ectópica (Tubária).

Formou-se em 1922. Logo foi convidado pelo seu antigo chefe na Faculdade, professor Augusto Brandão, para clinicar na cidade de Campinas (SP), mas recusou o convite, porque esteve em Belo Horizonte, em visita aos seus pais e recebeu de seu tio Agripino Augusto Pereira Lima um convite para trabalhar em Itaúna, onde chegou no dia 18 de janeiro de 1923.

A Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, inaugurada em 19 de março de 1921, dez dias depois, perdeu seu provedor, Dr. Augusto Gonçalves, vítima de um derrame cerebral, vindo a falecer 20 de maio de 1924.  Dr. COUTINHO ficou morando na casa de seu tio, farmacêutico Agripino Lima. Este o levou a conhecer o renomado médico Dr. Dorinato de Oliveira Lima, que o convidou para ser seu auxiliar, como cirurgião.

Optando pela ginecologia, Dorinato lhe disse não ser inclinado para tal especialidade, pediu-lhe então que examinasse pacientes na enfermaria de mulheres. Paradoxal, Dorinato obteve em Paris seu diploma de pós-graduação justamente em ginecologia e obstetrícia. Dr. COUTINHO, com os recursos disponíveis - dedo, vista e ouvido - examinou algumas e, por um capricho do destino, constatou prenhez tubária em uma delas.

Dorinato espantou-se porque tratava-se de um diagnóstico difícil. Dr. COUTINHO, assumindo o caso, utilizou pela primeira vez em Minas Gerais, a Raquianestesia, injetando no canal medular uma ampola de Percaine, que trouxera do Rio, obtendo êxito completo no tratamento da paciente.

A partir de então, Dr. COUTINHO ganhou a confiança de Dorinato que lhe entregou todos os casos de ginecologia do Hospital. Dorinato, seduzido pela política se transferiu para Belo Horizonte e, como é do conhecimento geral, Dr. COUTINHO, além de clínico geral, assumiu a chefia do setor cirúrgico da Santa Casa.

Fez da Medicina um sacerdócio, dando combate sem quartel à doença, sua inimiga de todas as horas. Perseguia-a onde estivesse, tanto na fazenda como na cidade. Ia ao encalço dela pelas estradas da roça, montado em cavalo ou burro. E as cirurgias sucediam-se, uma atrás da outra, quando para a Santa Casa afluíam doentes de Divinópolis, Cajuru, Pará de Minas, Cláudio, Mateus Leme, Itaguara, Itatiaiuçu, Bonfim e muitos outros lugares.

Em 1931, o jovem João Guimarães Rosa, formado em Medicina, foi residir em Conquista, hoje município de Itaguara, e tornou-se frequentador da Santa Casa de Itaúna e da residência do Dr. COUTINHO. Tornaram-se grandes amigos. Dr. COUTINHO fez o parto de sua filha Vilma. Publicou em 1932 o livro "A Messe de um Decênio", em que relatou passagens dos 10 anos iniciais de sua atividade profissional, leitura que se recomenda a todos que desejarem conhecer o homem e médico que foi.

 Casou-se, em 15 de setembro de 1924, com NAIR CHAVES, de rara beleza, "Miss Itaúna", de tradicionais famílias, descendente dos fundadores do município, distinguida na época com uma serenata de "Catulo da Paixão Cearense", em visita à cidade.

O casal teve dez filhos, sendo que uma menina, primogênita, AUXILIADORA, morreu criança, aos quatro anos. Os outros são: HELÊNIO ENÉAS, falecido, médico, ex-membro da Academia Brasileira de Medicina; RÔMULO AUGUSTO, falecido, foi Secretário de Segurança do Estado de Minas Gerais; JUAREZ CARLOS, falecido, farmacêutico prático; EVANDRO ALBERTO, agrônomo; MARCO ELÍSIO, professor universitário; JAIRO CÉLIO, ex-gerente da extinta Caixa Econômica Estadual, MARIA ÂNGELA, casada com Achilles Ferreira, aposentado, ex-gerente do extinto Banco da Lavoura e do extinto Banco Real; ÂNGELA MARIA, formada na Universidade de Itaúna e HELDER MAGNUS, falecido, era alto funcionário da CEMIG. Todos se casaram.

Foi professor de francês e psicologia educacional na Escola Normal Oficial de Itaúna, onde sua esposa foi excelente Diretora. No período em que a Escola foi desoficializada, por sete anos, ele e Dª NAIR, como vários outros dedicados professores, lecionaram suas matérias sem remuneração alguma.

Sua primeira participação na vida pública de Itaúna foi na vitoriosa Revolução de 1930, dela um dos vigorosos propagandistas e defensores, ao lado de outros idealistas, como Artur Vilaça, Dr. Hely Nogueira e José Augusto dos Santos (Juca do Bá). Lutaram na Aliança Liberal, liderada por Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, contra o governo central da República Velha e outros 17 Estados da Federação.

Foi nomeado e participou do primeiro Conselho Consultivo, em substituição à extinta Câmara Municipal. Líder integralista, ao lado do Monsenhor Hilton Gonçalves de Souza, acreditou nos ideais de Plínio Salgado. Foi Prefeito no período de 14 de dezembro de 1947 a 31 de janeiro de 1951, o primeiro após a reconstitucionalização do país com a queda de Getúlio Vargas.

Trabalhou, incessantemente, em favor do desenvolvimento harmônico e global do município. No cargo, deu atenção especial aos problemas vinculados à área de saneamento básico. O abastecimento de água, a extensão da rede de esgotos, os combates às moléstias endêmicas, como a malária, mereceram investimentos prioritários em seu mandato.

Trouxe a Itaúna o famoso professor CARVALHO LOPES, que entrevistei para a Folha do Oeste, e nos deu água de primeira qualidade, por alguns anos, com os poços subterrâneos. Deu atenção especial à educação, eis que foi, em vida, autêntico educador. Dedicou-se também à tarefa de melhorar as condições de vida, na área rural, destacando-se seu empenho na construção de estradas vicinais.

Ocorreu em seu mandato, logo no início, uma das maiores enchentes do rio São João, que passou à história como a "enchente do Dr. Coutinho". O município entrou em estado de calamidade pública. A tragédia deu frutos: elaborou-se o melhor Plano Diretor já feito para a cidade, lamentavelmente não executado pelo seu sucessor, por falta de recursos, e projetou-se a construção da Barragem do Benfica, resultados de sua atuação junto aos Governos estadual de Milton Campos, onde seu compadre Pedro Aleixo era Secretário do Interior, e federal de Gaspar Dutra, de onde trouxe técnicos para estudar e viabilizar a solução dos problemas, como o Dr. Camilo Menezes, Diretor Geral do Departamento Nacional de Obras e Saneamento.

Nas negociações, envolveu a Companhia Industrial Itaunense, que se responsabilizou pelo levantamento topográfico da bacia, e, afinal, em sociedade com a Companhia Tecidos Santanense construíram, de 1954 a 1958, a importante e vital obra para Itaúna, a Barragem do Benfica.

Juntamente com o prefeito Lincoln Nogueira Machado, Artur Vilaça e outros, o Dr. COUTINHO tudo fez para trazer para Itaúna uma indústria de grande porte, a Companhia Nacional de Ferro Puro - CNFP, que seria instalada onde é hoje o Bairro Padre Eustáquio. Uma enorme empresa, organizada em São Paulo, com o capital de 16 mil contos de réis. Lançou-se a pedra fundamental da iniciativa com as bênçãos do virtuoso Padre Eustáquio Van Lieshout.

A ideia não vingou, mas ficou, para sempre, conosco o nome do santo sacerdote que ganhou, merecidamente, o título, dado pela nossa Câmara Municipal, de "Cidadão Honorário". Seu nome enobrece o Distrito Industrial da Fazendinha.

Nasceu para servir, foi um dos fundadores do Rotary de Itaúna e seu Presidente. Foi bom para Itaúna, para sua família, e, especialmente para a sua legião de clientes, alunos e amigos. Grande orador, altíssimo nível cultural, jamais saiu de sua terra de adoção. Esposo e pai, construiu edificante lar. Romântico, idealista, sempre digno e ético, jamais foi um Sancho Pança e muitas vezes foi um D. Quixote, deixou marcas profundas na história do município e um grande número de descendentes, herdeiros dos exemplos e das nobres qualidades maternas e paternas.

Faleceu aos 84 anos, aos 10 dias do mês de Junho de 1982, às 7:30 horas de uma manhã ensolarada, no dia de Corpus Christi, data santa tão vinculada ao grande morto, autêntico cristão. Continua vivo na memória dos legítimos Itaunenses.




REFERÊNCIAS:
Organização: Charles Aquino
Texto Biográfico: Guaracy de Castro Nogueira
Acervo: Professor Marco Elísio
Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira – ICMC
Acervo: Shorpy
Projetos de Leis dos Logradouros: Câmara Municipal de Itaúna
Pesquisa: Charles Aquino, Patrícia Gonçalves Nogueira
Correios CEP


quarta-feira, 24 de maio de 2017

ARTUR VILAÇA

TRAVESSA ARTUR VILAÇA, ITAÚNA MG

Projeto de Lei 270/55 - CEP: 35680-052
Denomina logradouro público: Rua/Travessa Artur Vilaça / Centro
Antiga Travessa 2 de Janeiro
  
 “Prefeito e grande benemérito de Itaúna”

Conhecido como Coronel Arthur Contagem Vilaça. Não o considero “coronel” segundo a antiga versão política, pois foi um inovador. Nesta biografia, pretendo dar-lhe o verdadeiro reconhecimento, já que temos uma perspectiva histórica para julgá-lo, longe das paixões políticas e daqueles que teceram comentários sobre sua presença marcante em nossa cidade. Quero de início, relatar um episódio raro de sua conduta, como líder autêntico.

Desde 1922, o Brasil vinha sendo sacudido por um verdadeiro frenesi revolucionário. Em Minas, Antônio Carlos estabeleceu o voto secreto, fundou a Universidade e liderou um grande movimento de renovação. Em Itaúna, os políticos tradicionais apoiavam o presidente Washington Luiz, saudado na convenção que o elegeu pelo brilhante deputado federal por Minas, o itaunense Dr. Mário Matos.

A política do coronelismo oficial, em 1929, já havia escolhido, como candidato e futuro presidente, Júlio Prestes, que vinha fazendo boa administração em São Paulo, apoiado pelos governadores de 17 Estados. Antônio Carlos articulou a candidatura de Getúlio Vargas, tendo como seu companheiro de chapa João Pessoa, presidente da Paraíba. Surgiu a Aliança Liberal com o triângulo Minas, Rio Grande e Paraíba, para enfrentar o governo federal e os outros estados.

Como de costume, os coronéis fraudaram a eleição em favor do candidato oficial. Aconteceu a Revolução de 1930. Em Belo Horizonte o 12.º R.I., depois de vários dias de luta, rendeu-se à Polícia Mineira. Em Itaúna, Arthur Vilaça ficou ao lado das forças revolucionárias, organizou com jovens políticos locais, ente eles o Dr. Lima Coutinho, Juca Santos e Dr. Hely Nogueira, um pelotão para combater as forças tradicionais da República Velha. Minas colocou-se de pé. Surgiram a “Coluna Libertadora”, os Batalhões “Antônio Carlos”, “Olegário Maciel”, “Raul Soares”, “Mario Brant” e “Artur Bernardes”.

Vilaça hipotecou apoio a Getúlio Vargas e como ato significativo denominou nossa praça principal de João Pessoa, assassinado em Recife. Em 24 de outubro Washington Luiz foi deposto e a 3 de outubro empossado Getúlio Vargas. Foi o fim do regime instituído em 1891. Registre-se que Artur Vilaça, anteriormente, foi vereador no período de 1.º de maio de 1912 a 1.º de janeiro de 1916 e, depois, Presidente da Câmara e Agente Executivo para o mandato que se iniciou em 17 de maio de 1927, com apoio das forças tradicionais do Partido Republicano Mineiro (nos municípios os nomes dos partidos tinham coloração local), praticamente único partido oficial, que dominava a política itaunense desde os tempos do Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira. Nessa legislatura, os demais vereadores do município eram Dr. Mário Matos, Dr. Dario, Dr. Lincoln e Zezé Lima e havia mais quatro vereadores dos distritos.

Com a vitória da Revolução, Olegário Maciel continuou no governo do Estado e nomeou Artur Vilaça como o primeiro Prefeito Municipal com este título. Continuou administrando o município com isenção, dignidade e operosidade, sem usar dos poderes que tinha nesse período revolucionário, respeitando os direitos inalienáveis de cada cidadão. Os que perderam seu mandato se sentiram traídos; este acontecimento foi um divisor de águas na política local. Vilaça exerceu o mandato por 9 anos, 6 meses e 11 dias; permaneceu no cargo até 28 de janeiro de 1936, quando foi exonerado, a seu pedido, pelo Governador Benedicto Valadares.

Getúlio que prometera reconstitucionalizar o país em 1936, implantou o Estado Novo em 1937, governando como ditador. Artur Vilaça, amigo dos antigos membros da Aliança Liberal, os que se tornaram signatários do famoso “Manifesto dos Mineiros”, entre eles Pedro Aleixo, Jonas Barcelos Corrêa, Bueno Brandão, Mário Brant e tantos outros, entrou no partido de oposição, UDN, que provocou a queda do regime e deu uma Constituição Democrática ao País, em 1946.
Artur Vilaça nasceu em Dom Silvério, hoje Crucilândia, na época pertencente a Bonfim, em 20 de agosto de 1885, filho de Henrique Ferreira Vilaça e Francisca Álvares de Abreu e Silva. Estudou no Colégio Dom Bosco, de Cachoeira do Campo e no Colégio Azevedo, de Sabará. Diplomou-se em farmácia pela tradicional Faculdade de Farmácia de Ouro Preto, em 5 de dezembro de 1903. Era descendente da famosa Joaquina de Pompéu, tronco de ilustres personalidades mineiras, sua trisavó. Faleceu em Itaúna, terra que muito amou, em 18 de maio de 1955.

Casou-se, em 30 de maio de 1906, em Itaguara com Maria das Dores de Oliveira Campos, a Dona Dorica. Ao final de suas vidas se tornariam grandes beneméritos em Itaúna e em Itaguara, terra natal de Dorica. No mesmo ano de seu casamento, Vilaça transferiu-se para Itaúna, estabelecendo-se com uma farmácia que dirigiu por mais de vinte anos.
        Como Prefeito, Vilaça embasou seus mandatos no trinômio: comunicação, saúde e educação. Concluiu o importante serviço de abastecimento de água potável e a rede de esgotos, iniciados na administração anterior. Introduziu melhoramentos nos serviços telefônicos, bem como investiu na melhoria do aspecto urbano da cidade, com a construção dos jardins do antigo Largo da Matriz, em conformidade com projeto técnico do alemão Steinmetz, inaugurados em outubro de 1929. A conservação e a construção de estradas vicinais, ligando a sede aos povoados do município, mereceram sua especial atenção. Ampliou e reformou escolas.

         Em sua administração, em 1928, inaugurou-se a primeira agência bancária em Itaúna, do antigo Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, vendido ao Nacional. Foi um dos fundadores do Banco Industrial de Minas Gerais, depois vendido ao Banco Mercantil. Instalou uma agência de seu Banco em Itaúna e deu a Crucilândia sua primeira agência bancária.

Foi o Presidente da Sociedade Anônima que construiu o prédio da Escola Normal. Em 1930, graças aos esforços de sua administração, com o apoio do deputado federal Mário Matos, conseguiu sua oficialização. O deputado foi cassado pela Revolução e seu mandato estenderia até 1932. Como Arthur Vilaça apoiou Getúlio, Mário Matos jamais o perdoou, o que motivou a desoficialização da Escola Normal em 1938. “Valadares tinha no seu governo, na Diretoria da Imprensa Oficial do Estado, justamente Mário Matos que, automaticamente, começou a comandar politicamente o Município de Itaúna, bem como a exercer expressiva influência sobre a estratégia governamental praticada por Benedicto Valadares”.

Arthur e Dorica não tiveram filhos, mas dedicaram todo seu afeto à família, amparando sobrinhos e parentes. Criou em sua casa a sobrinha Zoé Vilaça Lara, que se casou com Severino de Paula Lara, de cujo enlace nasceu dois filhos: Artur Lúcio e Magda Lúcia. Artur Lúcio Lara, nascido em 1945, casou-se com sua conterrânea Idalina Dornas Diniz Lara, de tradicional família itaunense. Tiveram duas filhas: Tatiana e Larissa, residentes em Bocaiúva. Tatiana casada com Cláudio Antônio Caldeira Meira são os pais de Ana Cláudia e Artur. Idalina ficou viúva em decorrência do trágico acidente de automóvel que vitimou seu marido, ainda jovem, em 1976.

Magda Lúcia Lara Rocha, nascida em Itaúna sob o teto de Arthur Vilaça, em 1943, casou-se com Antônio de Oliveira Rocha Filho. Reside em Brasília, onde é extremamente requisitada pelos seus extraordinários dotes musicais. De seu casamento nasceram três filhos: Carmem Lúcia (falecida); João Paulo Lara Rocha, nascido e residente em Brasília, é analista de sistemas; Arthur Fernando Lara Rocha, itaunense de nascimento, casado com Raquel Montenegro de Oliveira Lara Rocha, residentes em Goiás. Ele é Piloto de Caça, Major-Aviador em Anápolis, onde pilota os velocíssimos “Mirage”; pais do neto de Magda Lúcia Lara Rocha: Arthur Fernando Lara Rocha Filho.

Desde quando chegara a Itaúna, o padre José Ferreira Neto queria instituir uma entidade para o ensino de meninos carentes, a Granja Escola São José. Pediu terras a três prósperos fazendeiros: José de Cerqueira Lima, Astolfo Dornas e Arthur Contagem Vilaça. Somente este anuiu ao seu pedido, disponibilizando-lhe dois alqueires. Mas o padre precisava de cinco e o sonho foi temporariamente adiado.

Antes de falecer, Arthur Vilaça solicitou à esposa, Dorica, que honrasse o seu compromisso com o Pe. José Neto. A generosa viúva, espelhada no exemplo de vida do esposo, foi mais além: doou 13 alqueires de seu melhor terreno e parte de sua fortuna, tornando-se instituidora da Fundação Granja Escola São José. Do gesto inicial de Arthur Vilaça sobrevive hoje a Granja Escola São José, instituição modelar, que acolhe dezenas de jovens estudantes tirados da rua, transformados em homens livres, plenos de cidadania, os líderes de amanhã, na Itaúna de nossos sonhos!

TRAVESSA ARTUR  VILAÇA, ITAÚNA MG
FARMACÊUTICO ARTHUR CONTAGEM VILAÇA

REFERÊNCIAS:
Texto: Guaracy de Castro Nogueira (In memoriam)
Pesquisa: Charles Aquino, Patrícia Gonçalves Nogueira.
Organização: Charles Aquino
Acervo: Instituto Cultural Maria Castro Nogueira
Fotografia: Adilson Nogueira
Projeto de Lei dos Logradouros: Prefeitura Municipal de Itaúna